O rasgo inicial: a origem radical da filosofia na Grécia antiga
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O presente artigo pretende investigar a singularidade da origem da Filosofia entre os gregos, argumentando que seu surgimento se deu na Jônia, no século VI a.C., e é um fenômeno único, resultante de fatores históricos, culturais e intelectuais específicos. Buscamos refutar as tentativas revisionistas de atribuir a origem da Filosofia a tradições orientais, defendendo que, embora os gregos tenham absorvido influências externas, a Filosofia propriamente dita é uma criação original sua. Portanto, destacamos o papel do alfabeto fonético grego, da poesia e da cultura da *polis* na formação de um pensamento racional, dialético e naturalista, diferenciando a Filosofia do pensamento mítico-religioso-imperialista dos demais povos antigos. Tentamos enfatizar que a Filosofia grega nasce em um contexto de liberdade intelectual e de ausência de um poder teocrático centralizado, permitindo o desenvolvimento do debate e da crítica. Além disso, a relação entre Filosofia e Matemática é explorada, demonstrando como os gregos elevaram o pensamento matemático a um nível teórico e especulativo, diferente do que havia sido feito até então. O artigo conclui argumentando pela necessidade de um retorno ao espírito original da Filosofia, ressaltando sua vocação para a busca da verdade e para a compreensão do mundo como um todo.