DIVERSIDADE (AFETIVO-SEXUAL) E PRODUÇÃO DO FRACASSO ESCOLAR: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
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A complexidade dos processos de inclusão/exclusão e das dinâmicas dos sistemas de poder nas escolas requer o estudo acerca da relação entre diversidades e fracasso escolar. Fundamentado principalmente em teorizações de Patto e de Deleuze e Guattari, este trabalho interpela explicações acerca da produção do fracasso escolar que adotam perspectivas individualizantes, patologizantes e medicalizantes, ou seja, que desconsideram as desigualdades estruturais e socioculturais, e dimensiona esse fenômeno como produto da injusta sociedade de classes e como antiprodução de vida. Amplia as explicações sobre o fracasso escolar à medida que inclui na análise outros marcadores sociais da diferença, para além de classe e raça. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura com foco na interseccionalidade de diversidade (afetivo-sexual) e fracasso escolar. O corpus do estudo é composto por cinco artigos, o que indica escassez de estudos sobre essa interseccionalidade. Submetidos à análise de conteúdo temática, os dados foram organizados em núcleos de sentido. A literatura sinaliza a necessidade de formação inicial e continuada dos docentes para mudar representações sociais e crenças que reforçam práticas excludentes. Evidencia o papel reprodutor da educação escolar, que perpetua divisões geográficas e sociais marcadas por diferenças culturais, e negligencia as diversidades em seus currículos. Conclui-se que a curricularização de diferenças é fundamental para a mitigação do fracasso escolar na vivência das pessoas LGBTQIAPN+. Políticas inclusivas e transformadoras que contemplem a relação entre exclusão, diversidades e desempenho acadêmico, contribuem para a redução das desigualdades estruturais e humanização da escola, reforçando-a como espaço de subjetivação e pluralidade.