TRAJETÓRIAS EDUCACIONAIS DE MULHERES NEGRAS NA EJA: UM ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS
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Este estudo investiga as percepções de cinco mulheres negras, com idades entre 48 e 61 anos, matriculadas na EJA em uma escola publica de um município do Rio de Janeiro, destacando os obstáculos que contribuíram para a não conclusão do ensino fundamental, mesmo após múltiplas tentativas. Utilizando uma abordagem qualitativa e um método de estudo de casos múltiplos, os dados foram coletados por meio de questionários sociodemográficos e entrevistas semiestruturadas e analisados na perspectiva da análise de conteúdo. As participantes revelaram experiências de vida repletas de desafios socioeconômicos, falta de apoio familiar e responsabilidades laborais que dificultaram seu acesso contínuo à educação. A intermitência em suas trajetórias educacionais foi marcada pela repetição do 4ª ano de escolaridade do ensino fundamental em várias ocasiões, evidenciando problemas de suporte e metodologias inadequadas. Apesar das condições adversas, todas expressaram um forte desejo de aprender a ler e escrever, visando aumentar sua autonomia e proporcionar melhores oportunidades para seus filhos. As histórias de Ana, Bela, Carla, Diná e Eva não apenas revelam as desigualdades estruturais que permeiam a educação das mulheres negras no Brasil, mas também apontam para a necessidade urgente de políticas públicas que assegurem não apenas o acesso, mas também a permanência e o sucesso educacional dessas alunas. Este estudo destaca a importância de considerar as especificidades das experiências dessas mulheres na formulação de estratégias educacionais inclusivas e significativas, que possam ajudar a enfrentar as desigualdades sociais e educacionais.