Os limites da racionalidade econômica
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Este artigo investiga a crise epistemológica estrutural que atravessa as teorias econômicas, principalmente as contemporâneas na qual essa crise se agravou, tanto na ortodoxia quanto na heterodoxia. Argumenta que a incapacidade recorrente de prever, explicar ou evitar crises sistêmicas não decorre de falhas técnicas pontuais, mas de problemas metodológicos muito mais profundos, a começar pelo recurso frequente a meta-axiomas, o núcleo duro da metodologia econômica, e em torno desse núcleo duro uma segunda camada frequentemente orbitada por argumentos circulares, tudo isso dando base para as elaborações teóricas que então se diferenciam, ortodoxas e heterodoxas. Como parte dessa forma mais externa a matemática geralmente aparece como mais um recurso retórico à disposição da teorização. A análise se direciona em três direções: (i) o Teorema de Sonnenschein‑Mantel‑Debreu (SMD), cuja prova pode ser entendida como a impossibilidade lógica de derivar comportamento racional agregado a partir de preferências individuais racionais, e sua consequência na microfundamentação de teorias macroeconômicas, (ii) na Teoria Monetária Moderna (MMT) e (iii) na possibilidade ou não da planificação econômica na sociedade capitalista. Analisamos os limites de discursos modernos e realistas como o socialismo de mercado, a economia do projetamento e a nova economia do projetamento e como, em última instância, mesmos esses discursos mais modernos ainda carregam fundamentações baseadas em argumentações circulares e antigos meta-axiomas. Por fim, a partir disso, concluímos a impossibilidade da planificação econômica em uma sociedade capitalista, apesar desses discursos, argumentos e propostas e apesar da possibilidade de superação da sociedade capitalista e da planificação econômica não capitalista nesse processo.