Pesquisa participativa e a importância da inclusão de experts por experiência na pesquisa em saúde - Possibilidades e desafios para o contexto brasileiro
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A produção científica, especialmente na área da saúde, tem sido criticada por seu distanciamento das necessidades e prioridades das pessoas diretamente afetadas pelos fenômenos investigados. Este artigo tem como objetivo discutir a pesquisa participativa como uma abordagem metodológica e epistemológica capaz de reduzir esse desalinhamento, com ênfase na inclusão de experts por experiência na produção do conhecimento, particularmente no campo da saúde mental. Trata-se de um artigo teórico, baseado em análise crítica da literatura internacional sobre pesquisa participativa, experiência vivida, experts por experiência e coprodução do conhecimento. São discutidos os fundamentos da pesquisa participativa, seus diferentes níveis de participação e suas implicações éticas, clínicas e epistemológicas. Argumenta-se que a articulação entre conhecimento acadêmico e experiência vivida contribui para pesquisas mais relevantes, acessíveis e alinhadas aos contextos reais de vida, além de favorecer intervenções mais viáveis e eticamente responsáveis. O artigo também identifica riscos associados à instrumentalização de experts por experiência, especialmente quando a participação ocorre de forma pontual ou desvinculada de espaços decisórios, bem como desafios estruturais para a consolidação dessas práticas no contexto brasileiro, incluindo limitações institucionais, regulatórias e formativas. Conclui-se que a integração da pesquisa participativa e de experts por experiência fortalece a qualidade, a legitimidade social e o compromisso ético da pesquisa em saúde, ao promover uma produção científica mais democrática, reflexiva e responsiva às realidades que busca compreender e transformar.