Hermenêutica da suspeita e da afirmação: um estudo sobre a produção de sentidos a partir do filme o agente secreto em interação com a inteligência artificial e suas implicações educacionais
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O artigo investiga os processos de produção de sentidos a partir do filme O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, tomando como disparador uma interação equivocada inicial entre o autor e o ChatGPT. A partir desse erro interpretativo – no qual a Inteligência Artificial (IA) atribui ao protagonista um papel que o filme deliberadamente recusa –, o texto propõe uma reflexão hermenêutica sobre como sentidos se constroem, se estabilizam e podem ser colocados em suspeição. Metodologicamente, adota-se uma abordagem hermenêutico-experimental, na qual a interação com um modelo generativo de linguagem é compreendida como evento interpretativo concreto, capaz de evidenciar atalhos cognitivos, arquétipos e vieses estatísticos mobilizados na produção de narrativas. O artigo articula essa experiência à tradição hermenêutica, especialmente à hermenêutica da suspeita em Paul Ricoeur, dialogando com Nietzsche e com a possibilidade de uma hermenêutica da afirmação, vinculada ao páthei máthos e à formação pela experiência. A distinção entre máthema e páthei máthos possibilita a problematização dos limites da IA na produção de sentidos, enfatizando que, embora capaz de simular narrativas e revisá-las, a IA não participa da dimensão existencial e formativa da experiência humana. Conclui-se que tanto o filme quanto a interação com a IA funcionam como dispositivos pedagógicos que convidam à suspensão de crenças, à desconfiança de sentidos impostos e à afirmação da experiência como fundamento da formação humana.