A Mudança Linguística como Cognição e Ação Conjunta: Automatização, Inferência e Identidade na Gramaticalização de ‘tipo’ no Português Brasileiro
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Este artigo investiga a gramaticalização do item lexical tipo no Português Brasileiro Contemporâneo, compreendendo a mudança linguística como um processo simultaneamente cognitivo e social. Partindo da constatação de sua ampla multifuncionalidade em registros coloquiais e digitais, o estudo propõe que os usos de tipo, como aproximador, hedge, quotativo e marcador discursivo, não configuram uma polissemia aleatória, mas uma trajetória unidirecional de gramaticalização em curso. Teoricamente, o trabalho articula a Linguística Diacrônica Baseada no Uso, conforme Bybee (2007), que explica a mudança por meio de mecanismos como automatização, inferência pragmática, subjetivização e decategorialização, à Linguística Sociocognitiva de Croft (2009), que concebe a linguagem como ação conjunta e enfatiza o papel da variação na verbalização e da convenção em comunidades de prática. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa-exploratória, com dados extraídos de postagens do Twitter (atual X), interpretados à luz da intuição linguística dos pesquisadores. A análise evidencia que a difusão de tipo é impulsionada tanto por sua eficiência cognitiva na gestão da imprecisão e da atitude do falante quanto por sua indexicalidade social, funcionando como marcador identitário em contextos interacionais informais. Conclui-se que a integração entre cognição e dinâmica social é fundamental para compreender a mudança linguística no português brasileiro contemporâneo.