Ficções de um pesquisar no Jequitinhonha: Quando uma mulher de barro se confunde com uma moringa de carne e ossos
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Este artigo é um exercício da potência da escrita ficcional para investigações na/da Educação Matemática em uma pesquisa de doutorado em andamento na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. A pesquisa é desenvolvida juntamente com artesãs do barro das comunidades de Campo Buriti e Campo Alegre, Turmalina, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Movimenta-nos saber como essas artesãs do barro nos permitem a problematização de um currículo escolar [de matemáticas] (in)disciplinar que seja afetado pelas práticas socioculturais, pelas inconstâncias da natureza e pelos jogos corporais dos personagens em cada cena. Nesse sentido, um corpoterritóriomulher emerge enquanto categoria de resistência política, de gênero, de espaço e contribui, também, para pensarmos em currículos escolares [de matemáticas] mobilizados por figuras subalternizadas e que colocam em xeque os modos eurocentrados e colonialistas da produção do conhecimento. Teórico-metodologicamente, assume-se a postura do segundo Wittgenstein em diálogo com Jaques Derrida para trabalhar nos limites de um currículo artesã. Em forma de diário, a partir de imersão em campo em abril de 2024, as discussões apoiam-se na conduta dos pesquisadores/professores ancorados pelas práticas socioculturais para quebrar os limites entre o dentro e o afora da escola, inventar um currículo escolar (de matemáticas) que não seja comum a qualquer humano, mas particular a cada contexto. Não há, assim, prescrições de métodos curriculares, todavia oportunidades para fugas de grades que uniformizam e ignoram pluralidades.