Pedagogia da Retomada: Educação Indígena, Territorialidade e Crítica ao Colonialismo Epistêmico na Literatura Contemporânea
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A pedagogia da retomada configura-se como um paradigma educacional contra-hegemônico que emerge da articulação integrada entre educação indígena, territorialidade, memória ancestral e crítica epistêmica, em oposição aos sistemas nacionais de educação marcados pela homogeneização e pela colonialidade do saber. A literatura analisada demonstra que essa articulação não se apresenta como uma justaposição teórica, mas como uma integração vivida, praticada em contextos nos quais educação, luta territorial, preservação cultural e resistência política constituem um projeto unificado de reexistência. Concebida como uma pedagogia emergente, e não formalmente codificada, a pedagogia da retomada desenvolve-se a partir das necessidades, experiências históricas e lutas das comunidades, preservando princípios centrais de descolonização e justiça epistêmica. Nesse horizonte, o território é compreendido como base física, simbólica e espiritual; a memória ancestral fornece conteúdo e legitimidade por meio das tradições orais e do conhecimento dos anciãos; a educação indígena estrutura métodos autônomos centrados na agência comunitária; e a crítica epistêmica enquadra o projeto político mais amplo ao desafiar os sistemas de conhecimento ocidentais e eurocêntricos a partir de referenciais decoloniais. Experiências concretas em comunidades indígenas e quilombolas evidenciam como esses elementos se reforçam mutuamente, com escolas participando diretamente de processos de retomada territorial e integrando conhecimentos tradicionais aos currículos. O caráter contra-hegemônico da pedagogia da retomada deriva, assim, da rejeição das relações tutelares e da afirmação da autonomia comunitária na construção do conhecimento, posicionando a educação simultaneamente como prática pedagógica e ato político de resistência frente às estruturas coloniais.