Heteroidentificação, judiciário e biografias coletivas: o <i>backlash</i> racial em gramáticas decisórias

Read the full article See related articles

Discuss this preprint

Start a discussion What are Sciety discussions?

Listed in

This article is not in any list yet, why not save it to one of your lists.
Log in to save this article

Abstract

Este artigo examina as disputas de moralidades justificadoras que subjazem à judicialização da heteroidentificação no serviço público federal. O objetivo central é investigar como o perfil biográfico e o habitus dos julgadores modulam as gramáticas decisórias em contestações da autodeclaração racial. Fundamentada na sociologia da crítica de Luc Boltanski e na sociogênese de Frantz Fanon, a pesquisa qualitativa e documental articula a técnica prosopográfica para mapear os eixos educacional, profissional e político dos magistrados. O corpus empírico compreende 30 julgados proferidos entre 2016 e 2021 pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), órgão que concentrou 77% dos litígios no período. Os resultados revelam polarização entre a teoria da autonomia da comissão (reparação coletiva) e a teoria da zona cinzenta (restauração do status quo meritocrático). Conclui-se que o TRF4, ao mobilizar a “dúvida razoável”, opera como dispositivo de backlash racial silencioso, onde a agência biográfica da elite judiciária inscreve justificações redutoras do alcance das políticas afirmativas.

Article activity feed