Neuroterritorialização e infraestruturas do desejo: Poder, cognição e técnica no território reticulado
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Este artigo analisa o território contemporâneo a partir do conceito de território reticulado e ampliado pelas categorias de neuroterritorialização e infraestruturas do desejo. A investigação se baseia no reconhecimento de que o espaço não é apenas um suporte físico, mas uma construção multifacetada articulada por redes técnicas, cognitivas e simbólicas que operam sob a lógica da seletividade e da dominação. Explora-se a neuroterritorialização como processo de territorialização da cognição e dos afetos, em que dispositivos digitais modulam percepções, atenções e subjetividades, configurando um novo campo de controle psicopolítico. As infraestruturas do desejo são discutidas como sistemas técnicos e algorítmicos que organizam a produção e gestão dos afetos e do consumo simbólico, inseridos na lógica do capitalismo de vigilância e de plataforma. No contexto atual, assiste-se à integração funcional entre técnica, norma e tempo por meio de plataformas digitais, dispositivos conectados, algoritmos e infraestruturas globais que transformam o espaço e reconfiguram as condições de vida e de trabalho. Aborda o impacto da pós-verdade na configuração dos territórios cognitivos, que operam por meio das redes digitais, promovendo uma disputa hegemônica pela definição da realidade socialmente compartilhada. O artigo contribui para a geografia crítica ao evidenciar que o domínio territorial contemporâneo exige a articulação entre materialidade, subjetividade e poder cognitivo, convocando uma nova agenda de análise interdisciplinar.