A MUDANÇA NO PERFIL DOS INGRESSANTES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO APÓS A IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS DE AÇÃO AFIRMATIVA (2010-2022)
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A educação superior no Brasil, historicamente marcada pelo predomínio das elites, passou a incorporar, a partir dos anos 2000, políticas de ação afirmativa destinadas a promover maior equidade nas instituições públicas de educação superior, culminando com a promulgação da Lei de Cotas, em 2012. No contexto estadual, especialmente em São Paulo, as universidades públicas estaduais inicialmente resistiram à adoção de reserva de vagas e a Universidade de São Paulo (USP) somente passou a adotá-la a partir do vestibular de 2018. O presente estudo tem como objetivo analisar a mudança do perfil dos ingressantes da USP entre 2010 e 2022, com variáveis como escolaridade no ensino médio e ensino fundamental, raça/cor e renda familiar, a partir da utilização de dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. A proporção de ingressantes oriundos de escolas públicas aumentou de 26% em 2010 para 50% em 2022, enquanto a de ingressantes pretos, pardos e indígenas (PPI) passou de 12% para 26% no mesmo período. Quando analisada a renda familiar, de até 3 salários-mínimos, estes representavam 14% dos ingressantes; tendo dobrado em 2022, com 28% do todo. Embora ainda careça de estudos longitudinais para compreender todos os impactos desta política, no que tange ao acesso à USP, a reserva de vagas demonstrou-se como fator de diversidade e equidade na instituição.