Gerenciamento de resultados e desempenho de empresas adquirentes em fusões e aquisições no Brasil

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Abstract

Este artigo investigou se o desempenho econômico e de mercado de empresas brasileiras após as fusões e aquisições (F&A) foi influenciado por práticas de gerenciamento de resultados (GR) adotadas antes dessas operações. Apesar de as evidências empíricas nacionais mostrarem que a geração de sinergia com F&A é negativa, a causa dessa queda pode estar relacionada a fatores como as práticas de GR contábeis ocorridas antes desse processo. Nesse sentido, este trabalho preenche essa lacuna ao estudar as relações entre as práticas de GR e a geração de sinergia em processos de F&A no Brasil. A relevância desta pesquisa consiste em mostrar que atitudes oportunistas dos gestores, como utilizar práticas de GR nos períodos que antecedem as F&A, podem afetar a sinergia esperada com essas operações também no Brasil. As práticas de GR ocorridas no período anterior são prejudiciais para a geração de sinergia, corroboram a hipótese de agência no contexto das F&A nacionais e podem afetar as expectativas, especialmente dos acionistas. Foram utilizadas 233 F&A concluídas por 89 empresas listadas na B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão, no período de 2010 a 2021, utilizando dados contábeis da base Refinitiv® (2008 a 2023) e modelos de regressão estimados por mínimos quadrados ordinários. Os resultados indicaram que práticas de GR por accruals e real, antes das F&A, reduziram o ganho de sinergia representado por medidas de desempenho econômico. Ao contrário, ambos os tipos de práticas não afetaram significativamente o desempenho de mercado. Os achados sugerem que os ganhos esperados de sinergia podem ter sido comprometidos pelos interesses dos gestores, conforme preconiza a teoria da agência, o que traz implicações para a governança corporativa das empresas e a tomada de decisão dos investidores.

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