“O luto na cadeia é diferente”: sobre perda e luto na saúde prisional
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Este artigo analisa as especificidades do luto vivenciado por pessoas privadas de liberdade no contexto da Atenção Primária à Saúde Prisional. Trata-se de estudo qualitativo, de inspiração na Medicina Narrativa, fundamentado na análise de uma narrativa clínica produzida em uma Unidade Básica de Saúde Prisional do Distrito Federal. A narrativa descreve a experiência de um homem encarcerado que recebe a notícia da morte violenta do filho. A análise evidencia que o luto no cárcere é atravessado pela ausência de rituais de despedida, comunicação impessoal da morte, restrição de redes de apoio e normas institucionais que inibem a expressão emocional, configurando formas de luto não reconhecido. Conclui-se que o encontro clínico, sustentado por escuta qualificada, pode operar como dispositivo de reconhecimento e cuidado, tensionando processos de desumanização no sistema prisional.