Corpovivências no enfrentamento à colonialidade: desdobramentos do construto na Linguística Aplicada Crítica
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Desde a invasão dos europeus à Abya Yala, ainda no final do século XV, a supremacia racial, ontoepistemológica e linguística do homem branco, cisheterossexual, patriarcal, europeu e cristão tem sido amplamente disseminada como representação única e necessária do sujeito moderno. Na contramão dessa lógica, propus, em minha tese de doutorado (Almeida, 2023), a reinserção de corpos não-brancos, antipatriarcais, antirracistas, anticapitalistas e anticisheteronormativos como elementos centrais na identificação, questionamento e interrupção dos mais diversos apagamentos e silenciamentos provocados pela colonialidade, aquilo que ousei chamar de corpovivências decoloniais. Neste texto, discuto de que maneiras o conceito de corpovivências vem se afirmando como estratégia de enfrentamento à colonialidade e às suas múltiplas dimensões, dentro e fora da sala de aula de língua inglesa. Para isso, tomo como referência trabalhos de pesquisadoras/es inseridas/os na seara da Linguística Aplicada Crítica (LAC) que têm se apropriado do construto. Atravessado pelas corpovivências de mulheres negras não acadêmicas e também pelas corpovivências de sujeitas/os presentes, em alguma medida, em discussões acadêmicas de diferentes áreas do conhecimento, tenho refletido sobre meus privilégios como homem cis, branco e gay e compreendido a urgência de apostar em praxiologias que articulam corpo, subjetividade, escrita, vivência, resistência e reexistência nas aulas de línguas. Afinal, mais do que fortalecer a língua como entidade neutra, apolítica e com fins meramente comunicativos, tenho entendido meu papel como sendo o de aprender com as corpovivências das pessoas que, por meio da língua[gem], performam múltiplas resistências, criam sentidos e reimaginam mundos e palavras.